quarta-feira, 3 de dezembro de 2014

Primeiros 1.000 dias definem a saúde e bem estar da criança por toda a vida

O termo é decorrente de um estudo publicado na revista de medicina inglesa, Lancet, em 2008, que analisou os 1.000 dias do bebê. Esta soma traz os nove meses da gestação (270 dias) e os dois primeiros anos de vida (730), demonstrando que o cuidado já inicia com a mãe durante a gravidez até o segundo aniversário.



“A escolha desse período da vida se deve ao crescimento acelerado, tanto físico quanto do sistema nervoso – cerca de 80% do cérebro se desenvolve nesta fase, e a importância dos nutrientes adequados que favoreça a saúde e o desenvolvimento cognitivo da criança para a fase adulta”, explica dr. Rubens Feferbaum, vice-presidente do Departamento de Nutrição da Sociedade de Pediatria de São Paulo.

Nesta abordagem, contemplam-se diversos aspectos: além da nutrição, o desenvolvimento mental e seus estímulos familiares e ambientais, cuidados com a saúde e vacinação (da gestante e da criança), higiene do espaço físico, entre outros. Enquanto gestante, a preocupação da mãe deve ser com o controle de saúde no pré-natal e a nutrição. Esta última deve ser orientada com atenção, pois o déficit de nutrientes pode acarretar em bebês com baixo peso ao nascer e prematuridade; porém, se em excesso, ocasionar recém-nascidos com peso aumentado.

Uma situação que merece atenção é a ocorrência de recém-nascidos com restrição de crescimento intraútero. Segundo dados da pesquisa da Lancet, anualmente 15 milhões de nascimentos em todo o mundo apresentam esta característica. Eles manifestam, na fase adulta, maior prevalência de doenças crônicas não transmissíveis, além do risco de sobrepeso se não houver uma alimentação adequada.

Recém-nascidos que nascem com maior peso (grandes para a idade gestacional), especialmente se apresentarem obesidade a partir dos 2 anos, podem manter ou agravar esta condição na vida adulta e desenvolver diabetes, hipertensão arterial e coronariopatias. Para tanto, a recomendação para as crianças é ter alimentação e estilo de vida saudáveis, evitando excessos de sódio, de gordura saturada, de açúcar (mesmo como adoçante de líquidos) e de proteínas, especialmente aquela presente no leite de vaca.

“Estes cuidados, especialmente com os nutrientes ingeridos pelo lactente, são fundamentais para garantir um bom crescimento, uma cognição bem desenvolvida e assegurar a saúde futura deste indivíduo”, reforça dr. Rubens. Durante a gestação, os nutrientes que o feto adquire provêm dos depósitos maternos e da suplementação nutricional, a exemplos dos ácidos graxos de cadeia longa (DHA), o ferro e ácido fólico que, entre outros, são imprescindíveis para a formação do sistema nervoso.

Com o nascimento, é importante acompanhar o bebê em um pediatra de confiança, estimular a amamentação exclusiva até o sexto mês de vida e continuada até o 2º ano, associada às refeições complementares, como papa de legumes com carne e frutas.
O leite materno é o alimento ideal para o lactente, que protege tanto da subnutrição quanto da obesidade, verdadeira epidemia em todo o mundo. Se não houver possibilidade de amamentar, as mães devem seguir orientação médica para oferecer a melhor nutrição possível, em relação ao uso de fórmulas infantis adequadas e alimentação complementar correta, visando uma nutrição mais adequada nesta importante fase da vida.

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